Enfim é sexta-feira!
Enquanto uns vão para a balada, outros dão início à jornada de trabalho
Gustavo Merici
É sexta-feira, fim de expediente, as pessoas se preparam para as noitadas do final de semana. Por opção ou necessidade, enquanto alguns saem para se divertir, há quem se despeça da família para começar uma jornada de trabalho.
Luciano Costa sempre trabalhou à noite. Era enfermeiro, agora é bartender. “Foi difícil conciliar. Trabalhar como bartender foi uma questão de diversão, nem tanto pelo dinheiro, mas sim por gostar das festas na noite”, afirma. Para receber a mesma quantia que ganhava como enfermeiro, Costa trabalha mais de 12 horas. “Chego a entrar às 16h e saio às 7h. Como enfermeiro ganhava R$ 1.300,00. Para receber isso como bartender trabalho em mais de três casas”, diz.
Segundo ele, a adaptação à vida noturna depende do apoio familiar. “Sou casado e tenho uma filha, quando minha esposa reclama, tiro três dias de folga e fico em casa, mas é complicado”, relata.
Na sua profissão, o que mais o desagrada é a confusão que o público faz do barman com a pessoa que apenas serve a bebida. “O bartender é o gourmet da bebida, ele não apenas serve, mas também prepara e degusta novos drinques”, explica. Além disso, segundo ele, a concorrência é desleal. “Tem colegas de profissão que trabalham por valores mais baixos, diminuindo o salário dos outros”, fala. Mas há também os que trabalham por necessidade. É o caso de Miro Stivanelli, segurança há mais de 20 anos. Sem registro, direitos trabalhistas, com carga horária de até 12 horas, não ganha mais que R$ 30,00 por noite. “A maioria dos seguranças trabalha como um complemento, nós não vemos a hora de chegar o final de semana para ganhar um extra”, afirma. No período diurno ele é segurança numa agência bancaria.
Stivanelli é casado e tem dois filhos, que nasceram quando o pai já trabalhava em dois turnos. Para evitar confrontos familiares, ele não deixa de estar presente nos aniversários e datas especiais. “Este é um dos segredos para a boa convivência com a família, pois o apoio dela é fundamental”, revela.
Neste mercado de trabalho há anos, Stivanelli afirma que está mais fácil trabalhar atualmente, pois as brigas são mais isoladas. “A maior parte das brigas acontece quando um cara mexe com uma mulher acompanhada.Eu cheguei a rolar escada abaixo apartando briga”, conta o segurança.
Sendo segurança de casa noturna, Stivanelli teve que se habituar com as músicas tocadas nas festas. “Eu só não me acostumei com o Hip Hop, mas quando termina a balada o ouvido ainda está zunindo, pois o som penetra na cabeça”, diz.
Os dois dormem de três a quatro horas por dia e tiveram que aprender a se relacionar com a família. Mas ambos concordam que independente dos problemas, o mais gostoso de trabalhar na noite é o contato com o público, conhecendo vários tipos de pessoas com as mais variadas personalidades e fazendo novas amizades.
Gustavo Merici
É sexta-feira, fim de expediente, as pessoas se preparam para as noitadas do final de semana. Por opção ou necessidade, enquanto alguns saem para se divertir, há quem se despeça da família para começar uma jornada de trabalho.
Luciano Costa sempre trabalhou à noite. Era enfermeiro, agora é bartender. “Foi difícil conciliar. Trabalhar como bartender foi uma questão de diversão, nem tanto pelo dinheiro, mas sim por gostar das festas na noite”, afirma. Para receber a mesma quantia que ganhava como enfermeiro, Costa trabalha mais de 12 horas. “Chego a entrar às 16h e saio às 7h. Como enfermeiro ganhava R$ 1.300,00. Para receber isso como bartender trabalho em mais de três casas”, diz.
Segundo ele, a adaptação à vida noturna depende do apoio familiar. “Sou casado e tenho uma filha, quando minha esposa reclama, tiro três dias de folga e fico em casa, mas é complicado”, relata.
Na sua profissão, o que mais o desagrada é a confusão que o público faz do barman com a pessoa que apenas serve a bebida. “O bartender é o gourmet da bebida, ele não apenas serve, mas também prepara e degusta novos drinques”, explica. Além disso, segundo ele, a concorrência é desleal. “Tem colegas de profissão que trabalham por valores mais baixos, diminuindo o salário dos outros”, fala. Mas há também os que trabalham por necessidade. É o caso de Miro Stivanelli, segurança há mais de 20 anos. Sem registro, direitos trabalhistas, com carga horária de até 12 horas, não ganha mais que R$ 30,00 por noite. “A maioria dos seguranças trabalha como um complemento, nós não vemos a hora de chegar o final de semana para ganhar um extra”, afirma. No período diurno ele é segurança numa agência bancaria.
Stivanelli é casado e tem dois filhos, que nasceram quando o pai já trabalhava em dois turnos. Para evitar confrontos familiares, ele não deixa de estar presente nos aniversários e datas especiais. “Este é um dos segredos para a boa convivência com a família, pois o apoio dela é fundamental”, revela.
Neste mercado de trabalho há anos, Stivanelli afirma que está mais fácil trabalhar atualmente, pois as brigas são mais isoladas. “A maior parte das brigas acontece quando um cara mexe com uma mulher acompanhada.Eu cheguei a rolar escada abaixo apartando briga”, conta o segurança.
Sendo segurança de casa noturna, Stivanelli teve que se habituar com as músicas tocadas nas festas. “Eu só não me acostumei com o Hip Hop, mas quando termina a balada o ouvido ainda está zunindo, pois o som penetra na cabeça”, diz.
Os dois dormem de três a quatro horas por dia e tiveram que aprender a se relacionar com a família. Mas ambos concordam que independente dos problemas, o mais gostoso de trabalhar na noite é o contato com o público, conhecendo vários tipos de pessoas com as mais variadas personalidades e fazendo novas amizades.

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