Tuesday, November 15, 2005

Artesanato sorocabano por um fio

Poucas vendas fazem artesãos de carros de boi, redes, e arte raízes procurarem outras fontes de renda para se manterem

Mariela Almeida

O artesanato típico de Sorocaba está desaparecendo. Sem conseguir sobreviver do trabalho artesanal, os artistas são obrigados a buscar outras fontes de renda. É o caso de Marcos Antônio de Oliveira, 38. Ele foi o único, dos nove filhos de Miguel Gregório de Oliveira que herdou o talento para entalhar a madeira criando os carros de boi. Após trabalhar muitos anos em feiras de artesanato e não ganhar o suficiente para o sustento da família, Oliveira hoje trabalha no presídio da cidade e faz artesanato nas poucas horas que lhe restam.
Além de entregar suas peças para terceiros revenderem, ele afirma que o que mais gosta é expor na beira da estrada. “As pessoas fazem minha propaganda nas cidades onde moram e acabam voltando para comprar mais”.

De artesão a jardineiro
Nascido em Piraju, Aníbal José Ribeiro, 67, cultiva a arte em raízes de árvores que aprendeu desde pequeno. Participou do evento “Revelando São Paulo”, no parque da Água Branca, na capital, e teve seu trabalho exposto na Bienal de São Paulo, chegando a exportar para Portugal, Japão e Estados Unidos.
A média de ganho com artesanato era de R$120,00 reais. Em função do baixo lucro com artesanato, decidiu então trabalhar com jardinagem e paisagismo, chegando a ganhar em torno de R$300,00 reais. Fundador da feira de artesanato de Sorocaba, hoje sua arte transformou-se em hobby.
Criada em 1989, a Associação do Artesanato de Sorocaba visava padronizar as feiras e as barracas e lutar pelos direitos dos artesãos. Na época, a feira principal era realizada na Praça Coronel Fernando Prestes. Com a reforma da praça central, a feira passou a ser realizada no Fórum Velho e alguns artesãos, descontentes, se uniram e formaram uma segunda.No geral, as duas buscam os mesmos objetivos.
Além destas organizações, existe uma comissão que é formada por dois representantes das Associações, um da Secretaria da Cultura, Secretaria do Trabalho, Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Fundo Social. É através dessa comissão que eles recebem apoio para a realização de feiras regionais e eventos.
A presidente de uma dessas associações, Maria de Fátima Lima Pico, 47, é a única artesã que manteve as origens da famosa fábrica de tecidos Cianê.Ela trabalha com tapetes e redes há mais de 12 anos.
Fátima expõe em feiras da cidade e afirma que ainda assim não dá para sobreviver apenas deste trabalho.Esta é a realidade, segundo ela, de 80% dos expositores.Um dos problemas que ela enfrenta é a desvalorização do produto.”Existem pessoas que querem pagar os tapetes que faço pelo preço de industrializados, por isso o artesanato se torna difícil”, diz.

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